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Pittacus Lore

Entrevista com autor

Uma entrevista do outro mundo com Pittacus Lore, o autor alienígena de Eu sou o Número Quatro

Às vezes você tem a impressão de que as celebridades são de um planeta diferente do seu, mas eu nunca havia entrevistado um alien de fato. Pelo menos, não até agora. Quando Eu sou o Número Quatro, primeiro título da série Os Legados de Lorien, foi lançado, os intermediários intergalácticos da HarperCollins conseguiram contatar o esquivo autor, um Ancião de Lorien chamado Pittacus Lore, pelo telefone. O romance para jovens adultos traz a história de um alienígena adolescente, um dos últimos de sua espécie depois da destruição de seu planeta, agora em fuga dos mogadorianos, raça guerreira que pretende matá-lo e invadir a Terra. Falamos com Lore a respeito da guerra sendo travada bem debaixo de nosso nariz. A fim de proteger a identidade (ele está fugindo dos mogadorianos), ele usou um modificador de voz, mas todas as palavras a seguir são realmente dele. Cabe a você decidir se vai aceitar sua história, como Mulder, ou duvidar dela, como Scully.

ENTERTAINMENT WEEKLY: Esse é seu primeiro livro, ou pelo menos seu primeiro livro publicado na Terra. Que tipo de inspiração você teve, tanto na área de livros para jovens adultos como na de ficção científica?

PITTACUS LORE: Escrevi o livro para contar a história da raça Lorien e sua luta aqui na Terra. A luta pela própria sobrevivência e a luta pela sobrevivência deste planeta. Em minha pesquisa, li alguns livros de ficção para jovens adultos e outros de ficção científica, mas nós queríamos contar nossa própria história, do nosso jeito.

EW: Você não teve medo de se pôr em risco com esse livro?

PL:Ninguém sabe quem somos, ninguém conhece nossa aparência. Não podemos ser identificados, não somos diferentes de vocês fisicamente, não falamos de modo diferente, não andamos de modo diferente. Não estou comprometendo nada. Só estou mostrando aos habitantes da Terra que eles estão em perigo, que há uma guerra acontecendo entre eles.

EW: Então você tem esperança de que seu livro faça as pessoas agirem?

PL:Na pessoas na Terra não terão papel algum nessa guerra. Vocês não podem fazer nada contra eles. A guerra será vencida ou perdida por nós.

EW: Como você usou o verbo no presente na resposta, eu presumo que a guerra continue.

PL: É, a guerra está acontecendo. Estamos escrevendo os livros um ano ou dois depois dos eventos.

EW: Entendo. Então você está trabalhando numa sequência, com eventos do ano passado?

PL: Estamos escrevendo outro livro agora, sim, intitulado O poder dos seis.

EW: E o Número Quatro está nele?

PL: O Número Quatro está nesse também. É sobre o confronto seguinte — dois já aconteceram. O terceiro está acontecendo neste momento.

EW: Seu livro se baseia em fatos reais, mas há algum outro livro de ficção científica que também seja real?

PL: Não posso garantir a veracidade de outros livros de ficção científica. Eu sei que pensamos que todos os livros são reais. Uma história é uma história, não importa como é rotulada ou vendida. Uma história é uma história, e não há como dizer o que é real e o que não é. Os livros de Philip K. Dick poderiam ser reais. Ouvimos histórias de abdução alienígena, mas não sabemos se são verdadeiras ou não. Só posso falar o que sei e o que vi, e isso está nas histórias que conto.

EW: A literatura era diferente em seu planeta? Você teve de adaptar seu jeito de escrever para os leitores da Terra?

PL: Uma história é a mesma em qualquer língua, em qualquer cultura. Nós não usávamos livros do jeito que vocês usam na Terra. Usávamos dispositivos parecidos com seus leitores digitais, mas sim, nós contávamos histórias. Isso é um hábito universal. Para todas as raças, para todos os seres vivos de todos os planetas, as histórias têm um papel importante.

EW: Você disse que seus livros eram mais como leitores digitais. Isso significa que o Kindle é um passo importante para a humanidade?

PL: Eu não diria que nossos livros eram leitores digitais, especificamente. Mais avançados tecnologicamente, sim.

EW: Então não se trata apenas de armazenar muitas obras, é uma experiência tátil também?

PL: Você realmente quer que essa entrevista seja sobre como eram os livros de um planeta que nem existe mais?

EW: Na verdade, quero sim. É fascinante, você é o primeiro alien que eu entrevisto.

PL: Ok, eles são eletrônicos, ou o que se pode chamar de eletrônico. Era possível virar as páginas. E também incluía elementos interativos.

EW: Já estão fazendo uma adaptação de seu livro para o cinema. Você está envolvido nesse projeto?

PL: Não estou envolvido no filme. Estou lutando numa guerra, no momento. Tenho coisas muito mais importantes com o que me preocupar.

EW: Quais são suas impressões sobre esse filme?

PL: Quanto mais pessoas ouvirem ou virem nossa história, melhor. Estou muito feliz que esse filme esteja sendo feito. Sr. Spielberg, sr. Bay e sr. Caruso são todos excepcionalmente talentosos contadores de histórias e cineastas, portanto devem conseguir fazer a história chegar a um público mais amplo.

EW: E Spielberg tem, de fato, muita experiência com histórias de ETs.

PL: Experiência em contar histórias extraterrestres, não vivê-las.

EW: Bem colocado. Você acha que seu livro vai ter o mesmo sucesso que livros como Harry Potter ou Crepúsculo tiveram?

PL: Acho que qualquer um que escreve um livro espera que ele tenha o sucesso de Harry Potter ou de Crepúsculo. Esperamos que as pessoas leiam o livro, gostem dele e se empolguem. Esperamos que sintam algo ao lê-lo e digam a seus conhecidos para lerem também. Sim, temos esperança de sucesso.

EW: Se o Número Quatro entrasse em uma briga com Harry Potter ou Edward, quem você acha que sairia vitorioso?

PL: O sr. Cullen e sr. Potter não teriam muita chance de ganhar.

EW: O livro tem muita ficção científica, mas também é um bom romance colegial norte-americano. Você quis escrever um livro com um toque humano, mesmo que o personagem principal não seja humano?

PL: Há coisas parecidas em seres de todo o universo. Todos amamos, todos sentimos medo, raiva, esperança. Por acaso, o Número Quatro estava em uma escola americana quando os eventos ocorreram, então esse é o cenário do livro. E os lorienos não são assim tão diferentes dos terráqueos. Temos poderes, mas queremos as mesmas coisas. Queremos amor, estabilidade, paz.

EW: Como você mantém contato com essas pessoas para contar suas histórias?

PL: Não tenho permissão para discutir esse assunto com você.

EW: Você menciona no livro que os lorienos ajudaram a raça humana no passado, na construção das pirâmides e coisas assim. E que Thomas Jefferson e Albert Einstein eram meio lorienos, certo?

PL: Sim.

EW: Então o quanto vocês participaram de nossa história?

PL: Nós acompanhávamos os acontecimentos deste planeta há dezenas de milhares de anos. Sinceramente, sua civilização não existiria se não fosse por nós. Nós os ensinamos como usar a linguagem, ensinamos como construir e organizar cidades civilizadas, nós ensinamos a vocês noções elementares de agricultura, astronomia, numerologia, arquitetura. Fornecemos as ideias básicas de filosofia. Vocês devem a maior parte do que sabem à influência lórica.

EW: Bom, então em nome da minha espécie, agradeço a vocês.

PL: Nós amamos os seres humanos e amamos a Terra. Essa é uma das razões de estarmos aqui.

EW: Você deseja que algum dia, quando a guerra tiver acabado, você possa se revelar e viver sem esconder a identidade?

PL: Quando a guerra terminar, eu vou sumir em sua sociedade. Vocês nunca mais ouvirão falar de mim e eu viverei como um de vocês, o mais normalmente possível. Se você me viu caminhando na rua hoje, e você deve ter visto, meu caro, porque talvez eu tenha feito uma pequena investigação sobre quem você é e onde trabalha, mas, enfim, se você me viu caminhando pela rua, você não seria capaz de saber que sou diferente de qualquer outro humano.

EW: Imagino que você não vai fazer muitas noites de autógrafos, então.

PL: Não, não vou fazer. Há livros autografados, que a HarperCollins me enviou, eu autografei e devolvi, mas não haverá aparições públicas.

EW: E em seu planeta vocês liam livros terrestres?

PL: Sempre estivemos atentos à Terra e ao que acontece aqui. Então, sim, acompanhamos o desenvolvimento da arte e da literatura daqui.

EW: Você tem preferências?

PL: Adoro o trabalho de J.K. Rowling e gosto do de Stephenie Meyer. Gosto ainda de Bret Easton Ellis e Norman Mailer. Adoro Henry Miller. Mickey Spillane também é um dos meus favoritos. E gosto da Entertainment Weekly e da Vogue.

EW: Você tem assinatura da Entertainment Weekly? Se me der seu endereço, posso conseguir uma assinatura gratuita para você.

PL: Você sabe que não vou lhe dar meu endereço.

EW: Puxa, cheguei tão perto!

PL: Não, não chegou, não.